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Sinais de autismo na infância: o que aprender com a história de Cucurella

Marc Cucurella se tornou bicampeão mundial ao lado da seleção espanhola e iniciou um novo momento na carreira ao assinar com o Real Madrid. Mesmo diante dessas conquistas, ele já contou, em entrevista à emissora pública espanhola RTVE, que nada foi tão desafiador quanto o processo de entender o que se passava com o filho mais velho, Mateo, hoje com 7 anos.

Segundo o próprio jogador relatou, os primeiros sinais surgiram ainda na educação infantil. Ele e a esposa, Claudia Rodríguez, começaram a notar que, nas fotos da escola, Mateo costumava aparecer sozinho, afastado das outras crianças. Com o passar do tempo, perceberam também que a fala não se desenvolvia como esperado: o menino falava pouco e balbuciava menos ainda.

Cucurella descreveu esse período como um dos mais duros que já viveu, por ver o próprio filho sofrendo sem entender exatamente o motivo. Depois de vir o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), a fase seguinte não foi mais fácil: segundo Claudia, faltou apoio da escola, e o casal chegou a viver meses em que voltavam para casa chorando, todos os dias, depois de deixar Mateo na aula.

Foi só com o tempo, e com uma rede de apoio mais adequada, que a família encontrou um novo equilíbrio. Cucurella reconhece que ainda tem dificuldade para falar sobre o assunto e que, às vezes, não sabe exatamente como ajudar o filho. Mas também afirma que a convivência com Mateo o ensinou a ter mais paciência, empatia e sensibilidade e hoje toda a rotina da família, incluindo decisões profissionais, leva em conta o que é melhor para ele.

 

Essa jornada não é exclusiva de quem está nos holofotes

Muitos pais e responsáveis vivem um processo parecido: primeiro o estranhamento, depois a dúvida, o diagnóstico, e só então o aprendizado de uma nova forma de cuidar. Se você está em algum ponto dessa jornada, este texto foi pensado para te ajudar a entender melhor alguns sinais, como agir no dia a dia sem que a criança se sinta na defensiva, e quando é hora de procurar uma avaliação especializada.

Importante: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação profissional. Cada criança é única, e apenas um diagnóstico clínico pode confirmar a presença do TEA.

 

Sinais que merecem atenção

O Transtorno do Espectro Autista se manifesta de formas muito diferentes de criança para criança, por isso o termo “espectro”. Alguns sinais que costumam chamar a atenção de pais e cuidadores incluem:

Comunicação: Atraso no desenvolvimento da fala, dificuldade em manter uma conversa de ida e volta, ou uso da linguagem de um jeito bem particular, repetindo frases ou palavras fora de contexto.

Interação social: Pouco contato visual, dificuldade em compartilhar interesses com outras pessoas (como apontar para mostrar algo) ou em participar de brincadeiras que envolvam troca com outras crianças.

Comportamento: e rotina Apego intenso a rotinas e sequências fixas, desconforto grande diante de mudanças inesperadas, e movimentos repetitivos, como balançar o corpo ou as mãos.

Sensorialidade: Reações mais intensas do que o esperado a sons, luzes, texturas ou toques que podem tanto incomodar profundamente quanto ser buscadas pela criança como forma de regulação.

Vale reforçar: um sinal isolado, de forma pontual, não indica necessariamente autismo. O que costuma levar à investigação é a combinação de vários desses sinais, com uma intensidade que impacta a rotina da criança.

 

Como agir no dia a dia sem colocar a criança na defensiva

Diante da suspeita, é comum que os pais queiram “corrigir” ou entender rapidamente o que está acontecendo. Mas alguns cuidados no dia a dia fazem diferença tanto para a criança quanto para a relação entre pais e filhos:

Observe antes de rotular. Em vez de perguntar “por que você é assim?”, tente nomear o que você percebe: “percebi que você fica incomodado quando a rotina muda”.

Evite comparações, principalmente com irmãos ou outras crianças da mesma idade. Cada desenvolvimento tem seu próprio ritmo.

Não repreenda comportamentos de autorregulação, como balançar o corpo ou evitar contato visual. Muitas vezes, é assim que a criança encontra conforto diante de estímulos que a incomodam.

Valide o que a criança sente antes de tentar mudar o comportamento. Um “eu entendo que isso te incomoda” costuma abrir mais espaço do que uma correção direta.

Mantenha previsibilidade na rotina. Isso não significa rigidez, mas sim oferecer segurança em um momento que já pode ser confuso para a criança.

Esses cuidados ajudam a manter o vínculo de confiança entre pais e filhos, mesmo em meio às dúvidas.

 

Quando procurar ajuda especializada

Assim como aconteceu na história de Cucurella, é normal que, antes do diagnóstico, os pais tentem lidar sozinhos com as dificuldades, até perceberem que precisam de apoio profissional. Alguns sinais de que é hora de buscar uma avaliação:

  • Os sinais persistem por semanas ou meses, e impactam a rotina escolar, familiar ou social da criança;
  • A criança demonstra sofrimento visível diante de mudanças ou situações sociais;
  • Você, como pai, mãe ou responsável, sente que já não sabe mais como agir diante de determinados comportamentos.

Buscar uma avaliação psicológica não é um passo que confirma que algo está “errado” com a criança, é uma forma de compreender melhor como ela funciona e como apoiá-la da forma mais adequada. O diagnóstico, quando confirmado, não é um rótulo limitante: é uma ferramenta que ajuda a família a agir com mais clareza e menos angústia.

 

Assim como o craque do futebol

A história de Cucurella mostra que, muitas vezes, entender e acolher as necessidades de um filho pode reorganizar prioridades inteiras. Buscar ajuda especializada não é sinal de fragilidade: é um gesto de cuidado.

Se você reconhece alguns desses sinais no comportamento do seu filho, ou simplesmente sente que precisa de orientação para entender melhor essa fase, a equipe da Harmonie está pronta para acolher você e sua família nesse processo.

Clique aqui para falar conosco e dê o primeiro passo para entender melhor as necessidades do seu filho.

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