Julho chega e, com ele, uma sensação que muita gente conhece bem: a de que o ano já passou da metade e ainda existe uma longa lista de planos que ficaram pelo caminho. É comum que esse momento desperte reflexões sobre o que foi conquistado desde janeiro e, junto delas, uma cobrança que nem sempre é justa.
Se você já vive uma rotina intensa, equilibrando trabalho, casa, filhos, relacionamentos e tantas outras responsabilidades, talvez já tenha se perguntado: “Será que eu deveria ter feito mais?”
Essa pergunta pode parecer inofensiva, mas, quando se torna frequente, acaba transformando o meio do ano em um período de culpa, em vez de um momento de reflexão e recomeço.
Por que a autocobrança costuma aumentar nessa época do ano?
O início do segundo semestre funciona como um marco simbólico. Assim como acontece em janeiro, ele nos convida a olhar para trás, avaliar o caminho percorrido e pensar no que ainda queremos realizar.
Refletir sobre a própria vida não é um problema. Pelo contrário: isso pode nos ajudar a fazer escolhas mais conscientes. A dificuldade aparece quando essa avaliação deixa de considerar a realidade que vivemos.
É fácil olhar apenas para aquilo que ainda não aconteceu e esquecer tudo o que foi enfrentado até aqui. Mudanças inesperadas, desafios no trabalho, questões familiares, cansaço físico e emocional… Tudo isso influencia o ritmo da nossa caminhada.
Mesmo assim, muitas pessoas acabam medindo seu valor apenas pelo número de metas cumpridas.
Quando a cobrança deixa de motivar e começa a machucar
Ter objetivos faz parte da vida. Querer crescer, aprender e conquistar novos sonhos é saudável.
O problema surge quando a autocobrança deixa de impulsionar e passa a gerar sofrimento. Em vez de incentivar o movimento, ela cria a sensação de que nada do que você faz é suficiente.
Alguns sinais de que isso pode estar acontecendo são:
- sentir que está sempre em dívida consigo mesmo, mesmo depois de um dia cheio;
- ter dificuldade para reconhecer suas conquistas e enxergar apenas o que ainda falta;
- descansar o corpo, mas não conseguir descansar a mente, porque ela continua presa às cobranças;
- perceber mais irritação, impaciência ou sensação de esgotamento;
- adiar justamente aquilo que mais gostaria de fazer e, depois, sentir culpa por isso.
Quando esses sinais se repetem com frequência, talvez o problema não seja a falta de esforço, mas o excesso de exigência.
Você não precisa carregar tudo sozinho(a)
Muitas pessoas acreditam que precisam dar conta de tudo. Continuam funcionando, cumprindo responsabilidades e atendendo às necessidades de todos ao redor, mesmo quando já estão emocionalmente exaustas.
Com o tempo, essa tentativa de suportar tudo sozinho pode cobrar um preço alto.
A ansiedade aumenta, o cansaço parece nunca passar, a concentração diminui e pequenas situações começam a parecer muito maiores do que realmente são. O corpo e a mente encontram maneiras de mostrar que precisam de cuidado.
Talvez seja hora de fazer uma pergunta diferente
No meio do ano, é natural pensar no que ainda falta realizar.
Mas talvez exista uma pergunta ainda mais importante:
Como eu tenho me tratado ao longo desse caminho?
Olhar para a própria trajetória com mais gentileza não significa desistir dos seus objetivos. Significa reconhecer que você fez o melhor que pôde dentro das circunstâncias que viveu.
Em vez de enxergar apenas o que ainda falta, tente também perceber tudo o que foi aprendido, superado e construído até aqui.
O segundo semestre pode ser um momento para reorganizar metas, mas também para rever a forma como você conversa consigo mesmo. Afinal, seguir em frente é muito mais leve quando a cobrança dá espaço ao cuidado.
Quando buscar ajuda pode fazer diferença
Se você percebe que a autocobrança tem afetado seu sono, seu humor, seus relacionamentos ou sua qualidade de vida, talvez seja o momento de buscar apoio.
A psicoterapia oferece um espaço seguro para compreender de onde vem essa necessidade de estar sempre fazendo mais, acolher as próprias emoções e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com expectativas, metas e desafios do dia a dia.
Na Harmonie, contamos com uma equipe de psicólogos preparada para acolher diferentes momentos da vida, oferecendo um atendimento humanizado, presencial no Tatuapé ou online.
Se a cobrança com você mesmo tem pesado mais do que deveria, saiba que você não precisa enfrentar isso sozinha. Pedir ajuda também é uma forma de cuidar de si.
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